terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Educação integral

O ano escolar brasileiro já iniciou em algumas escolas e está prestes a iniciar-se na rede particular e pública de ensino básico. Como sempre, a cada ano, no mês de janeiro, a procura pela escola gera preocupações e cria “dores de cabeça” para os pais dos alunos. Na rede pública de ensino, em muitos casos, o problema ainda reside na falta de vagas, não obstante o avanço na sua oferta, como comprovam as estatísticas; em outros casos, o problema está na baixa qualidade do ensino ministrado. Todavia, em alguns Estados e Municípios, os governos têm investido na melhoria do ensino, mediante políticas públicas inovadoras, de modo que algumas escolas públicas são “ilhas de excelência” que produzem frutos de qualidade, como se constata em índices do Ideb, do Enem e de outros mecanismos da avaliação institucional. Isso resulta de algumas políticas implementadas: “Salários acima da média e regime de dedicação exclusiva atraem os docentes e são outro destaque. Para ingressar em uma dessas instituições, o caminho é o concurso público, e os postos de trabalho são disputados. A jornada de 40 horas semanais permite que seja desenvolvida uma trajetória acadêmica. Esse tempo é dividido entre as aulas, a pesquisa e o acompanhamento de estagiários. Os colégios devem seu título a esta função: ser um espaço onde os estudantes de cursos de graduação que envolvem didática podem aplicar, numa situação real, os conhecimentos adquiridos em sala de aula.” Em se tratando de escolas da rede particular, os custos com a matrícula e o material escolar estão entre os itens que encarecem o orçamento das famílias e, consequentemente, têm seu peso na medida da inflação brasileira. Obviamente, o aumento da anuidade escolar está atrelado a outros elementos da realidade econômica, como salários, material didático, serviços, manutenção e outros. Também na rede particular, há escolas com medíocre e excelente nível de ensino, como sabem os alunos e suas famílias.

Por sua natureza e finalidade, tanto a escola pública quanto a privada devem oferecer uma educação integral às crianças, aos adolescentes e jovens. Em que consiste a educação integral? “A palavra integral significa inteiro, completo, total. Portanto, defender uma educação integral, é defender uma educação completa, que pense o ser humano por inteiro, em todas as dimensões. (...) É pensar uma educação que discuta e construa valores, cidadania, ética, na valorização e fortalecimento da identidade étnica, cultural, local, de gênero, valores estes essenciais para construção uma sociedade sustentável, com justiça social”. A Igreja Católica preza muito a educação, a ponto de ter assumido a educação escolar como uma de suas principais atividades sociais, empenhando-se sempre na oferta da educação integral, entre cujos aspectos se encontra a dimensão religiosa, dada a sua reconhecida importância para o desenvolvimento humano e social dos educandos. 

A crise da Economia mundial repercute em todas as instituições sociais. A rede particular de ensino, notadamente aquela de natureza confessional, reflete isso, de uma forma muito visível, precisamente por não terem as Igrejas uma concepção mercantilista e por não fazerem da educação uma atividade comercial.
Dom Genival Saraiva de França é Bispo da Diocese de Palmares - PE; Presidente da Conferência Nacional de Bispos Regional Nordeste 2 (CNBB NE2), Responsável pela Comissão Regional de Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz; Diretor presidente do Conselho de Orientação do Ensino Religioso do Estado de Pernambuco (CONOERPE); Membro efetivo do Conselho Econômico da CNBB NE2.

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