sexta-feira, 6 de julho de 2012

Conhecimento e fé

Deus deu àpessoa humana a capacidade de sempre adquirir maiores e melhores conhecimentos,qualquer que seja a área da ciência; na verdade, essa capacidade é ilimitada;limitadas, sim, são as condições para que a pessoa esgote suas possibilidadesde crescer no mundo dos conhecimentos, em qualquer campo do saber. Há pessoasque, no seu tempo, chegaram ao nível mais elevado do conhecimento, a exemplo deSanto Tomás de Aquino, na Teologia medieval, de Albert Einstein, na Físicamoderna e de um Prêmio Nobel da medicina contemporânea. A Igreja Católica prezamuito o avanço da ciência, em todos os campos. Muitos veem a posição da Igreja,em relação a determinados assuntos, de forma desatualizda, preconceituosa ouobstinada, e, assim, a consideram retrógrada ou contrária a conquistas daciência. Na verdade, a Igreja tem manifestado suas reservas quanto a aspectoséticos da pesquisa científica e se opõe, doutrinariamente, ao seu avanço, emcampos nitidamente contrários ao conteúdo da Revelação divina. Um outroelemento que ilumina e guia a vida do ser humano é a fé cristã que, obviamente,não fala senão a quem recebeu esse dom. Essa fé uma herança; é um valor a servivido e transmitido, precisamente, por ser herdado, de Abraão a Jesus Cristo.O lar, a comunidade eclesial e a escola são os espaços privilegiados para aalimentação desse valor que fala à mente e ao coração humano. Quem que fazciência e quem ensina a catequese não desconhecem o âmbito de sua respectivaação – a transmissão e a assimilação do conhecimento, como um valor adquirido,e a transmissão e a assimilação da fé, como um valor herdado. A escolacatólica, como outra de qualquer esfera, tem na transmissão do conhecimento asua razão de ser; porém, não pode deixar de ser um espaço de formação devalores outros, como a fé; a família e a comunidade cristã têm um papelinerente à transmissão e à assimilação da fé.

Por isso, em recente encontro com Bispos americanos, emRoma, em Visita ad Limina, o Papa Bento XVI lembrou que “a tarefa essencial daeducação autêntica em todo nível não é simplesmente aquela transmitida peloconhecimento, que é essencial, mas também de moldar corações. Há uma constantenecessidade de equilibrar o rigor intelectual na comunicação eficaz, atraente eintegralmente da riqueza da fé da Igreja com a formação do jovem no amor deDeus, a práxis da vida moral e sacramental cristã e, não menos importante, ocultivo de oração pessoal e litúrgica. (...) Às vezes, pelo que parece, as escolas e universidades católicas têm falhadoem desafiar os estudantes a reapropriar-se de sua fé como parte de umaexcitante descoberta intelectual que marca a experiência da educação superior.”A educação da personalidade humana compreende essa dimensão de “moldarcorações” que é inerente ao processo educativo. Cada pessoa sabe queinteligência e razão, coração e sentimento têm um significado especial na suaexistência; todavia, nem sempre a escola dá a suficiente atenção a essanecessidade de “moldar os corações”.

O Papa chamou atenção para a necessidade de “reafirmar aidentidade distinta” das escolas católicas. É importante ter presente esseperfil das escolas católicas, numa cidade, numa região, num país; porventura, asociedade, a família, o corpo dirigente, discente e docente percebem essa “identidadedistinta”? 

A palavra do Papa fala, de forma eloquente, à escolacatólica, à família e à comunidade, por seu papel específico e integrado, emrelação ao conteúdo e à transmissão do conhecimento e da fé.
Dom Genival Saraiva de França é Bispo da Diocese de Palmares - PE; Presidente da Conferência Nacional de Bispos Regional Nordeste 2 (CNBB NE2), Responsável pela Comissão Regional de Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz; Diretor presidente do Conselho de Orientação do Ensino Religioso do Estado de Pernambuco (CONOERPE); Membro efetivo do Conselho Econômico da CNBB NE2.

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